Fany Kuiru e Alicia Guzmán: a luta para evitar o ponto de não retorno da Amazônia

A COICA reafirma sua liderança regional com a inclusão de Fany Kuiru, Coordenadora Geral, entre os 100 Latinos Mais Comprometidos com a Ação Climática 2025, e reconhece o trabalho de Alicia Guzmán, assessora política, por seu papel fundamental na defesa da Amazônia em espaços internacionais.

A Coordenadora das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA) continua se consolidando como um ator central na defesa do planeta.

Em 2025, sua Coordenadora Geral, Fany Kuiru Castro, foi reconhecida entre os 100 Latinos Mais Comprometidos com a Ação Climática, uma lista promovida pela Sachamama e EFEverde, que destaca pessoas que lideram soluções diante da crise ambiental e da desinformação climática.

Desde a Amazônia, Fany Kuiru eleva as vozes territoriais dos povos indígenas aos principais espaços globais de incidência, lembrando que não há ação climática possível sem direitos territoriais, igualdade de gênero e reconhecimento dos saberes ancestrais.


Fany Kuiru: voz territorial dos povos indígenas amazônicos

Como primeira mulher a dirigir a COICA em mais de 40 anos de história, Fany Kuiru representa a força coletiva dos povos amazônicos dos nove países da bacia.

Sua liderança combina incidência política, diplomacia climática e defesa da vida, articulando a partir dos territórios uma narrativa de esperança, justiça e soluções baseadas na natureza.

Sob sua gestão, a COICA fortaleceu a participação das mulheres indígenas na governança regional, consolidando a paridade de gênero como princípio orientador de suas estruturas.

Além disso, ela promove a economia indígena como mecanismo de proteção da floresta, por meio de programas como Amazon Fair Trade e Con Amazonía, que fomentam modelos de bioeconomia liderados pelas comunidades.


Alicia Guzmán: incidência política por uma Amazônia viva

A COICA também reconhece o papel estratégico de Alicia Guzmán, assessora política da organização, que desempenhou um papel essencial nos processos internacionais de conservação e restauração.

Guzmán foi uma das impulsionadoras da Moção 126, aprovada no Congresso Mundial da Natureza (UICN) em 2021, que lançou as bases para a iniciativa Amazônia pela Vida: Proteger 80% até 2025.

Seu trabalho continuou em 2025 com a Moção 068, aprovada no recente Congresso Mundial da Natureza, que reforça o compromisso global com a proteção e restauração da Amazônia até 2030, evitando o ponto de não retorno.

Essas moções, lideradas pela ação coletiva da COICA e da Coalizão Amazônia pela Vida, marcam um precedente na diplomacia ambiental, ao fazer com que a Amazônia seja reconhecida como bem comum global e eixo da estabilidade climática do planeta.


Amazônia pela Vida: proteger e restaurar até 2030

A Coalizão Amazônia pela Vida, impulsionada pela COICA e mais de 800 organizações aliadas, busca proteger 80% do bioma amazônico e restaurar os ecossistemas degradados até 2030.

Esse esforço conjunto integra ciência, política e ação indígena para evitar que a Amazônia ultrapasse seu ponto de não retorno — momento em que perderia sua capacidade de regenerar-se e de regular o clima global.

Por meio da campanha Amazônia Essência Viva e do fortalecimento do Fundo Indígena Amazônia pela Vida, a COICA promove soluções a partir dos povos, demonstrando que a ação climática mais eficaz nasce nos territórios.


Unidos por uma transição justa e equitativa

O reconhecimento de Fany Kuiru e o trabalho de Alicia Guzmán reafirmam a liderança indígena amazônica no movimento climático global.

Ambas representam uma nova forma de liderança — coletiva, paritária e com visão de restauração ecológica e cultural.

Seu trabalho demonstra que a Amazônia não deve apenas ser protegida, mas também restaurada com base nos princípios do conhecimento tradicional e da justiça climática.